Carta para todos aqueles que causaram minha dor pra escapar de suas próprias.
- Mia
- 4 de jan. de 2024
- 2 min de leitura
Carta para todos aqueles que causaram minha dor pra escapar de suas próprias.
Tem sangue espalhado em meu quarto, as lâminas estão por toda parte, as sombras me sussurram pra eu ir, meus medos se tornaram minha única companhia.
Existe dor pra todos os lados, meu corpo dói, minha alma foi incendiada e eu sinto fumaça por minhas narinas.
E eu aposto que você não entende, aposto que não vê.
Você me prendeu e me enfraqueceu, ousou jogar palavras como facas afiadas em meu ser.
Você colocou meu corpo em sua frente como escudo.
Me abandonou para sair como um herói, capa reluzente, heroísmo católico.
Tinha sangue por todo lado enquanto suas pegadas formavam o caminho para fora.
E eu vi uma luz quando você deixou a porta semi aberta.
Você achou que escaparia de seus crimes?
Eu estou entre os sorrisos, estou nas memórias, estou no preço que pagou por ser que é.
Estou nas músicas que ouve, na balada que dança, meu sangue está em suas mãos, meus olhos estão nos seus sonhos.
Eu estou na vida que você nunca viverá.
Estou na amiga/filha/mulher que você nunca terá.
Você pode achar que eu fui um feito necessário, uma macha em sua história.
Você achou que escaparia disso?
Eu estou vivendo e sorrindo, eu me banho em águas de inocência, num lago cristalino que você não pode nadar.
Porque eu preferi ser seu assassinato que sua assassina.
Eu fui leal e fui precisa, fui como um pássaro que mesmo engaiolado persistia o canto.
Te dei beleza quando o contrário te rondava.
Você pensa que acabou porque eu me fui?
Eu estou nas noites que você não dorme, eu venho como um pesadelo intrínseco em desolação e travestido de culpabilidade.
Eu quero o sangue que você retirou de volta.
Você achou que seria livre no final?
Você pode tentar buscar o perdão e sua redenção, ajoelhar a minha volta e procurar paz.
Mas você não pode me ter de volta.
Eu ainda assim não sinto raiva.
Eu não devolverei na mesma moeda.
Eu não pararei de bailar pelas noites.
Meus pulsos não doem mais.
Minhas cicatrizes fecharam.
Meu sangue se estabilizou.
E você não pode me ter de volta.
Você não pode mais acessar minhas palavras doces.
Um vidro nos separa e você apenas assiste de longe, como uma televisão.
Enquanto entre as árvores, os amores, os sabores me acalentam.
A brisa movimenta meus cabelos e ainda assim você não pode me alcançar.
Minha dança é leve e sem nenhum traço de culpa.
Porque eu tenho inocência em meu ser.
Você achou que minhas lágrimas lavariam seus pecados?
Eu estou sentindo a luz do sol, aqui, ali… Em todo lugar.
E você nunca mais poderá me encontrar.
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