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É hora de ir.

  • Foto do escritor: Mia
    Mia
  • 14 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Quando a vontade de impressionar passa, quando a conversa não cativa mais.

Quando a dor percorre o corpo como um arrepio mais do que as gargalhadas que antes costumavam aquecer.

Quando você sempre perdoa, mas raramente é perdoada.

Quando te usam pra ferir alguém, mas usam alguém pra ferir você.

Quando o seu inimigo se torna escudeiro de seu amigo.

Quando o seu abraço não conforta mais quanto ao mundo oferecendo aventuras.

Quando você insiste em amar alguém que não está disposto a te amar de volta.

Quando você tenta ver a todo mundo, mesmo que ninguém tenha te olhado de volta.

Quando você doa mais do que tem e do que se deu a vida toda.

Quando a dor percorre seu ser e não tem ninguém que te ajude a levantar.

Quando todos tem seu contato como emergência, mas você não é a emergência de ninguém.

Nesse momento onde você chora por horas e não tem ninguém pra ligar, nesse momento onde você nunca se viu em uma pior situação e não consegue um ombro pra chorar.

Nesse exato momento, eu consigo entender, é hora de ir!

155 dias, 22 semanas e horas demais do meu dia, lágrimas demais, tantas crises e tantos eus criados pra agradar e desapontar e odiar.

Eu me dividi em mais de 10 partes, me quebraram em todas elas e ainda vão se perguntar o porque eu parti.

Esse sentimento de liberdade dolorida, como uma águia quebrando seu bico antigo, uma borboleta se esforçando durante a metamorfose, a cobra lutando contra sua própria pele.

Quando essa sensação dolorosamente libertadora começa a quebrar devagarinho em sua alma, eu sei.

Eu sinto, é hora de ir.

Tentar entender, compreender e se forçar a ficar só vai ser mais difícil por cada dia.

Quando você já deu tudo e não tem mais nada, é sinônimo de desblanço, de vida sem sentido, de lágrimas solvidas a toa.

Eles terão todas esses eus, terão meu passado, terão minhas cicatrizes e machucados, eles terão minhas vulnerabilidades, meu orgulho e minha derrota.

Mas eu terei finalmente a mim de volta.

E eu sei, dentro do meu espírito, que eu fiz tudo o que eu tinha pra fazer.

Gratidão, nostalgia e felicitação.

Não tem mais versões pra tentar agradar.

O palco tá sendo desmontado aos poucos.

Me deixe ir.





 
 
 

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