
Maldita Primavera.
- Mia
- 9 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Eu não quero saber com quem você está neste momento, se seus olhos estão tão brilhantes para ele como eram para mim.
Eu não quero ouvir como ele consegue te dar o tratamento que apenas um pai conseguiria…
Veja bem, minha adorável flor de primavera… Eu não conheço o amor em toda a sua esplêndida e latente forma, não sei como eu poderia abdicar de toda essa profunda insuficiência em mim, não sei como deixar de SER, mas gostaria.
Está tudo bem para você? Podemos esquecer esse martírio por hoje? Podemos focar apenas no gosto de sua boca por enquanto? Sinto falta da cereja de seus lábios brilhantes, do cheiro do shampoo e da sensação de suas unhas com esmalte brilhante descascado arranhando levemente minha bochecha, me recebendo com o amor que nunca pude suportar.
Sua dor arde em mim, seus olhos verdes marejados pela minha falta me causam uma dor no âmago.
Eu sou uma cicatriz para você agora?
Faça ferimentos em mim de volta, Jasmim.
Se vingue e me faça pagar, crave seus dentes e suas unhas em minha pele, me faça sangrar se isso a deixar melhor.
Você pode se vingar, eu vou embora de qualquer jeito, só me deixe ser sua por uma última vez.
Você pode dizer que me odeia depois e que não suportaria olhar em minha cara, que meu nome é como veneno amargo misturado na saliva.
Diga que não presto, que sou um karma, que sou a pior das escórias, diga que odeia o cheiro do meu perfume, que detesta cada mísera memória que tivemos.
Só não diga que sente minha falta, não inunde seu belo rosto com saudades de alguém que não consegue ficar, que não sabe amar sem se aterrorizar em ser amada de volta.
Coloque seu coração dolorido em cima de mim e despeje todo seu amargor, só me deixe ser sua por uma noite.
Eu odeio a primavera, odeio todo outubro que não seja o nosso, odeio ter que ir embora quando tenho acalento para ficar.
Odeio o fato de que não possa me odiar.
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