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Você se lembra?

  • Foto do escritor: Mia
    Mia
  • 19 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

No primeiro dia em que você se foi, a dor emocional era palpável; meus nervos doíam, e era quase físico o quanto ardia pensar no que poderia ter acontecido.

Eu estava quebrada, meu apetite, que já era quase escasso, havia se tornado inexistente.

Eu só orava a deuses que não me atendiam e me afundava em uma epifania onde o mundo permitia que eu te tocasse e a fizesse minha por completo; era assim que conseguia adormecer.

Chorar já era mundano demais para o que eu sentia; a culpa e o amargor tomaram conta de tudo o que eu conheci, e eu me odiei por tudo. Reli apegada a cada linha de nossas conversas; eram tudo o que me fazia acreditar que tudo aconteceu, foi real.

Até você reaparecer, quando eu estava começando a secar as lágrimas, sem pensar 24, mas apenas 20 horas do meu dia, nos seus cabelos molhados em minhas mãos e suas unhas passeando em minhas costas.

Você me disse: "Você se lembra? Se lembra de como éramos felizes?

Você tinha medo de dormir no escuro, e eu fui sua luz; eu cantei canções em meu idioma para espantar seus pesadelos. Estava chovendo e saímos para uma volta e mesmo do outro lado do globo, eu senti que te segurei tão apertado.

Eram mais de 2 da manhã, e eu chorei por não poder beijar seus lábios."

Eu achei que estava bem; eu achei que tinha conseguido viver minha vida, mas você apareceu e me lembrou de como eu te amei em segredo, de como eu imaginava planos mirabolantes para te ter comigo, de como nosso ídolo até mesmo se comoveu com nossa situação e nos ajudou, de como seus olhos eram lindos sob a luz dos postes.

De como eu dançaria com você pela eternidade, se eu pudesse.

Eu caí em um choro de soluço e solidão.

Mais uma vez me vi na cama chorando por mais horas do que um dia poderia contar.

Os dias passaram, e eu fui me distraindo, me consolei em amores escritos e imaginários.

Eu me encontrei em pausas de sofrimento para poder viver.

Perdoei tudo e tentei seguir em frente.

Até que você apareceu novamente.

"Amor, eu sinto sua falta."

Eu sinto a sua também, minha pequena Lua.

Mas eu preciso aprender a entender que no céu não é o lugar do que sentíamos.

O amor é valioso demais para ser descartado como você o fez.

Eu nada disse, mas queria:

Você, minha não mais tão amável Moon.

Você se lembra daquela noite? Onde eu me declarei com medo do que poderia receber em troca? De como chorei ao te ver chorar? De como te fiz rainha dos meus dias e fui sua serva sem pestanejar? Você feriu minhas camadas mais profundas e eu permiti.

Se lembra como eu te fazia sentir? E em como eu pintava minhas unhas de acordo com seus lenços de cabelo.

De como eu te amei sem medidas? Sem distâncias ou barreiras?

Se lembra como eu me destruí pra te deixar completa?

Você se lembra?

 
 
 

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